Prova de que a proibição ao aborto no Brasil tem muito mais a ver com moralismo sexual do que com a proteção à vida é a ressalva permissiva ao aborto no caso de estupro. Trata-se de hipótese há décadas prevista no Ordenamento, amplamente aceita pela opinião pública. Raramente se vê crítica a esta ressalva, e quando é feita é por entidades religiosas. Admite-se que a mulher violentada não pode ser obrigada a gerar o fruto de uma violência.
Pois bem: o filho do estuprador é tão ser vivo quanto qualquer feto. Isto demonstra que a sociedade preza não a vida, e sim a castidade. A mulher que engravida se debatendo tem o direito de abortar, mas não aquela que “por pura sem-vergonhice” comete o ato sexual. Ao fim e ao cabo, o que se quer é que o sexo não seja impune.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O que vem lá
Uma coisa que eu nunca tive, e acho que a maioria dos brasileiros nascidos a partir da década de 80 também não deve ter tido, é paranoia quanto a eminência de uma guerra que possa ter efeitos comparáveis aos da Segunda Guerra Mundial.
Contudo, a perspectiva de algo assim tem rondado minha mente nos últimos tempos.
China e Estados Unidos são duas massas que buscam crescer no mesmo espaço físico. Quando a situação atingir um nível crítico, não custará ao ocidente buscar justificativas humanitárias (regime político opressivo, trabalho em condições indignas) para lançar-se com armas sobre a China.
O irônico é que, hoje, a maior parte do ocidente fecha os olhos a estas “condições desumanas”, na medida em que lhe convém comercialmente. Temos da China máquinas e tecnologias baratas, além de um grande mercado consumidor.
Por enquanto os negócios com a China custam “somente” a desindustrialização dos países que compram dela, e consequente desemprego. As classes dominantes, contudo, por ora lucram. É quando elas finalmente tiverem sua liderança questionada perante um número cada vez maior de prejudicados que jogarão toda a culpa sobre o país comunista. Nos EUA, isto já vem ocorrendo.
Ao contrário do que ocorreu com as guerras norte-americanas contra o Afeganistão e Iraque, não creio que desta vez o Brasil ficará de fora. Com sua relevância nos âmbitos econômico e político crescente, e sendo um grande parceiro comercial da China, acabaremos pegando em armas. Não sei bem para que lado vamos atirar.
E o que podemos fazer para evitar a guerra? Até onde vejo, nada. Como dito anteriormente, as economias (inclusive a brasileira) estão crescendo, e o tabuleiro não suporta tantas peças. Alguém tem que diminuir.
Como não vejo possibilidade de qualquer economia recuar deliberadamente, isso será feito por meio de bombas e tiros. Nós, brasileiros, provavelmente seremos uma das primeiras economias atacadas, não importa o partido que tomemos.
Se eu estiver inteiramente errado quanto a tudo o que escrevi aqui, pelo menos considerem este texto como uma possibilidade que felizmente foi evitada.
Contudo, a perspectiva de algo assim tem rondado minha mente nos últimos tempos.
China e Estados Unidos são duas massas que buscam crescer no mesmo espaço físico. Quando a situação atingir um nível crítico, não custará ao ocidente buscar justificativas humanitárias (regime político opressivo, trabalho em condições indignas) para lançar-se com armas sobre a China.
O irônico é que, hoje, a maior parte do ocidente fecha os olhos a estas “condições desumanas”, na medida em que lhe convém comercialmente. Temos da China máquinas e tecnologias baratas, além de um grande mercado consumidor.
Por enquanto os negócios com a China custam “somente” a desindustrialização dos países que compram dela, e consequente desemprego. As classes dominantes, contudo, por ora lucram. É quando elas finalmente tiverem sua liderança questionada perante um número cada vez maior de prejudicados que jogarão toda a culpa sobre o país comunista. Nos EUA, isto já vem ocorrendo.
Ao contrário do que ocorreu com as guerras norte-americanas contra o Afeganistão e Iraque, não creio que desta vez o Brasil ficará de fora. Com sua relevância nos âmbitos econômico e político crescente, e sendo um grande parceiro comercial da China, acabaremos pegando em armas. Não sei bem para que lado vamos atirar.
E o que podemos fazer para evitar a guerra? Até onde vejo, nada. Como dito anteriormente, as economias (inclusive a brasileira) estão crescendo, e o tabuleiro não suporta tantas peças. Alguém tem que diminuir.
Como não vejo possibilidade de qualquer economia recuar deliberadamente, isso será feito por meio de bombas e tiros. Nós, brasileiros, provavelmente seremos uma das primeiras economias atacadas, não importa o partido que tomemos.
Se eu estiver inteiramente errado quanto a tudo o que escrevi aqui, pelo menos considerem este texto como uma possibilidade que felizmente foi evitada.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Literalmente...
Hoje enquanto andava por uma praça
deixei cair ao chão uma garrafa de água.
Antes que desse dois quiques a levantei
e com ela na mão sorri e pensei:
DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI!
...ou beberei?
E no fim das contas acabei bebendo a água,
que ainda estava gelada, com gás, e era Prata.
deixei cair ao chão uma garrafa de água.
Antes que desse dois quiques a levantei
e com ela na mão sorri e pensei:
DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI!
...ou beberei?
E no fim das contas acabei bebendo a água,
que ainda estava gelada, com gás, e era Prata.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Por quanto tempo ser funcionário público ainda será uma boa?
Poucos meses atrás Cuba anunciou a redução dos cargos públicos em 500.000 vagas, como forma de incentivar a iniciativa privada na ilha. Esta semana, em outras águas, a Inglaterra também anunciou que tomará medida semelhante nos próximos anos, com a finalidade de reduzir o déficit fiscal.
Enquanto isso, no Brasil, vira e mexe a imprensa publica dados sobre o funcionarismo público que soam nababescos para o trabalhador médio. Um dos dados que mais impressiona é o valor da aposentadoria média, que em algumas esferas fica próxima dos R$10.000,00. Por todo lado se difunde a imagem do funcionário público desinteressado, levado à comodidade pela estabilidade legal que tem no serviço.
Disso pode decorrer que a onda de corte de despesa pela folha de pagamentos chegue ao Brasil, com a redução de vagas e, quiçá, a supressão de direitos adquiridos.
Esta é uma solução que não se alinha ao modelo de Estado que tem se formado no país. Nossas instituições democráticas, ainda em formação, precisam de MAIS funcionários. A solução viável, portanto, é melhorar a qualidade do serviço.
Apesar de não ser muito difundido na mídia, é comum no serviço público a demissão como punição para funcionários que praticam atos desonestos. Isto, no entanto, não é suficiente para garantir a competência dos "honestos". Para tanto, tem que se regulamentar o princípio constitucional da Eficiência. Deve se criar metas, premiar bons desempenhos e punir os que não correspondem ao seu dever.
Tanto a Administração quanto a Sociedade têm que compreender que a estabilidade no serviço público não significa uma carta branca, um direito absoluto. Significa somente que para se perder o emprego é preciso que a demissão seja motivada. Segundo a Constituição Federal, a ineficiência é motivo suficiente para a perda da estabilidade. Falta que se regulamente e, por fim, que se apliquem as regras.
O funcionalismo, que tem um lobby relevante no Congresso Nacional, deveria começar a se pautar por esta punição ao mal funcionário, antes que a sociedade escolha a classe como bode expiatório e puna indistintamente, prejudicando não apenas os servidores, como também os serviços.
Enquanto isso, no Brasil, vira e mexe a imprensa publica dados sobre o funcionarismo público que soam nababescos para o trabalhador médio. Um dos dados que mais impressiona é o valor da aposentadoria média, que em algumas esferas fica próxima dos R$10.000,00. Por todo lado se difunde a imagem do funcionário público desinteressado, levado à comodidade pela estabilidade legal que tem no serviço.
Disso pode decorrer que a onda de corte de despesa pela folha de pagamentos chegue ao Brasil, com a redução de vagas e, quiçá, a supressão de direitos adquiridos.
Esta é uma solução que não se alinha ao modelo de Estado que tem se formado no país. Nossas instituições democráticas, ainda em formação, precisam de MAIS funcionários. A solução viável, portanto, é melhorar a qualidade do serviço.
Apesar de não ser muito difundido na mídia, é comum no serviço público a demissão como punição para funcionários que praticam atos desonestos. Isto, no entanto, não é suficiente para garantir a competência dos "honestos". Para tanto, tem que se regulamentar o princípio constitucional da Eficiência. Deve se criar metas, premiar bons desempenhos e punir os que não correspondem ao seu dever.
Tanto a Administração quanto a Sociedade têm que compreender que a estabilidade no serviço público não significa uma carta branca, um direito absoluto. Significa somente que para se perder o emprego é preciso que a demissão seja motivada. Segundo a Constituição Federal, a ineficiência é motivo suficiente para a perda da estabilidade. Falta que se regulamente e, por fim, que se apliquem as regras.
O funcionalismo, que tem um lobby relevante no Congresso Nacional, deveria começar a se pautar por esta punição ao mal funcionário, antes que a sociedade escolha a classe como bode expiatório e puna indistintamente, prejudicando não apenas os servidores, como também os serviços.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Uma palavra sobre o susto
Sentir um terremoto é uma experiência interessante. Sempre que eu paro para pensar o quanto já vivi, e as coisas extraordinárias pelas quais já passei, lembro que já passei por um terremoto. Bem verdade que foi desses terremotos que às vezes temos aqui no Brasil – sem grandes danos, quase imperceptível. Mas ainda assim, creio que há poucas coisas capazes de minar, por um momento brevíssimo, as mais básicas certezas que temos. Por um segundo a cadeira não está firme, perde-se o chão. Se o chão não é confiável, como confiar que há oxigênio no ar, que o freio do carro funcionará, ou mesmo que você existe?
Essa sensação deve ser mais intensa quanto mais curtos sejam os tremores – afinal, por mais estranha que seja uma situação, o tempo leva à compreensão e à aceitação. Um curtíssimo tremor apenas te leva àquela sensação de “o quê foi isso”, também sentida quando se vê um vulto num lugar estranho e escuro, ou quando se tem um dèja vú. Não sei quanto a vocês, mas eu procuro valorizar os poucos momentos destes que eu tenho. Não precisa ganhar sozinho a sena acumulada para ter uma experiência extraordinária.
Essa sensação deve ser mais intensa quanto mais curtos sejam os tremores – afinal, por mais estranha que seja uma situação, o tempo leva à compreensão e à aceitação. Um curtíssimo tremor apenas te leva àquela sensação de “o quê foi isso”, também sentida quando se vê um vulto num lugar estranho e escuro, ou quando se tem um dèja vú. Não sei quanto a vocês, mas eu procuro valorizar os poucos momentos destes que eu tenho. Não precisa ganhar sozinho a sena acumulada para ter uma experiência extraordinária.
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Sixteen Tons
Após reparar na letra original da música 16 Tons fiquei meio decepcionado por ela ter se popularizado no Brasil com as versões de Noriel Vilela e do Funk Como Le Gusta, que têm muito swing, mas nada da pegada "revoltada" da versão original.
Por isso, vou postar aqui a letra original e uma inédita e exclusiva versão livre da letra em português, de minha humilde autoria. Esta versão é meio inspirada no que os Titãs fizeram com a música "Patches", a qual transformaram em "Marvim".
SIXTEEN TONS - MERLE TRAVIS
"Some people say a man is made outta mud
A poor man's made outta muscle and blood
Muscle and blood and skin and bones
A mind that's a-weak and a back that's strong
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
I was born one mornin' when the sun didn't shine
I picked up my shovel and I walked to the mine
I loaded sixteen tons of number nine coal
And the straw boss said "Well, a-bless my soul"
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
I was born one mornin', it was drizzlin' rain
Fightin' and trouble are my middle name
I was raised in the canebrake by an ol' mama lion
Cain't no-a high-toned woman make me walk the line
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
If you see me comin', better step aside
A lotta men didn't, a lotta men died
One fist of iron, the other of steel
If the right one don't a-get you
Then the left one will
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store"
E agora a minha versão, que eu chamei de DEZ HORAS:
Dizem que o homem veio do barro
de músculo e sangue, qualquer desgraçado
músculo e sangue e pele e osso
nada na cabeça e muito sobre os ombros
Cê trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Quando eu levanto o sol ainda não brilhou
Uma hora de busão e mais meia de metrô
Trabalho um dia inteiro e mais duas extras
pro chefe sorrir e me negar as minhas férias
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Nasci numa manhã em que garoava
Desde então por tudo eu brigava
cresci cortando cana, com ódio de tudo
minha mãe olhava feio e me dava um cascudo
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Se encontra comigo vê se toma cuidado
muitos não tomaram e levaram um regaço
Um punho de ferro e o outro de aço
a primeira pro hospital, a segunda um abraço
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Veja um vídeo da versão de Tennessee Ernie Ford:
Por isso, vou postar aqui a letra original e uma inédita e exclusiva versão livre da letra em português, de minha humilde autoria. Esta versão é meio inspirada no que os Titãs fizeram com a música "Patches", a qual transformaram em "Marvim".
SIXTEEN TONS - MERLE TRAVIS
"Some people say a man is made outta mud
A poor man's made outta muscle and blood
Muscle and blood and skin and bones
A mind that's a-weak and a back that's strong
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
I was born one mornin' when the sun didn't shine
I picked up my shovel and I walked to the mine
I loaded sixteen tons of number nine coal
And the straw boss said "Well, a-bless my soul"
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
I was born one mornin', it was drizzlin' rain
Fightin' and trouble are my middle name
I was raised in the canebrake by an ol' mama lion
Cain't no-a high-toned woman make me walk the line
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store
If you see me comin', better step aside
A lotta men didn't, a lotta men died
One fist of iron, the other of steel
If the right one don't a-get you
Then the left one will
You load sixteen tons, what do you get
Another day older and deeper in debt
Saint Peter don't you call me 'cause I can't go
I owe my soul to the company store"
E agora a minha versão, que eu chamei de DEZ HORAS:
Dizem que o homem veio do barro
de músculo e sangue, qualquer desgraçado
músculo e sangue e pele e osso
nada na cabeça e muito sobre os ombros
Cê trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Quando eu levanto o sol ainda não brilhou
Uma hora de busão e mais meia de metrô
Trabalho um dia inteiro e mais duas extras
pro chefe sorrir e me negar as minhas férias
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Nasci numa manhã em que garoava
Desde então por tudo eu brigava
cresci cortando cana, com ódio de tudo
minha mãe olhava feio e me dava um cascudo
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Se encontra comigo vê se toma cuidado
muitos não tomaram e levaram um regaço
Um punho de ferro e o outro de aço
a primeira pro hospital, a segunda um abraço
Trabalha por dez horas, e o que recebe?
Um dia mais velho e o débito que segue.
São Pedro vê se não me chama agora
Que eu devo pro banco até a minha alma.
Veja um vídeo da versão de Tennessee Ernie Ford:
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Sobre A Metamorfose
A Metamorfose de Franz Kafka não é a história de um homem que acorda na forma de um inseto monstruoso. Nada pode estar tão distante da ficção científica ou do horror quanto esta novela.
A terrível transformação de Gregor Samsa é uma alegoria para todas condições inescapáveis a que os homens estão submetidos, e que podem levar à sua exclusão da sociedade. Samsa poderia ter despertado como homossexual, leproso, artista, comunista, albino; qualquer coisa, enfim, que levasse seus convivas a exilá-lo.
A realidade fantástica de Kafka torna sua obra atemporal. Gregor poderia ser judeu na década de 1930, aidético nos anos 1980, ou muçulmano nos anos 2000. Mas ao invés de situações limitadas, Kafka utilizou de uma hipótese absurda e, por isso mesmo, universal, pela qual descreveu a angústia da exclusão. Exclusão que existe desde que existe o conceito de grupo.
Esta pequena obra prima, portanto, tem como êxito a condensação em palavras de um dos mais perenes sentimentos humanos: a dor da rejeição. Aquele que a lê tem a oportunidade de identificá-la e reconhecê-la em sua própria realidade. Não são tantos os livros capazes de proporcionar experiência tão profunda.
Estou vendendo uma edição de A Metamorfose, a um preço módico, neste sítio:
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-150483550-a-metamorfose-franz-kafka-_JM
A terrível transformação de Gregor Samsa é uma alegoria para todas condições inescapáveis a que os homens estão submetidos, e que podem levar à sua exclusão da sociedade. Samsa poderia ter despertado como homossexual, leproso, artista, comunista, albino; qualquer coisa, enfim, que levasse seus convivas a exilá-lo.
A realidade fantástica de Kafka torna sua obra atemporal. Gregor poderia ser judeu na década de 1930, aidético nos anos 1980, ou muçulmano nos anos 2000. Mas ao invés de situações limitadas, Kafka utilizou de uma hipótese absurda e, por isso mesmo, universal, pela qual descreveu a angústia da exclusão. Exclusão que existe desde que existe o conceito de grupo.
Esta pequena obra prima, portanto, tem como êxito a condensação em palavras de um dos mais perenes sentimentos humanos: a dor da rejeição. Aquele que a lê tem a oportunidade de identificá-la e reconhecê-la em sua própria realidade. Não são tantos os livros capazes de proporcionar experiência tão profunda.
Estou vendendo uma edição de A Metamorfose, a um preço módico, neste sítio:
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-150483550-a-metamorfose-franz-kafka-_JM
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Poema infantil
Injustiça da natureza
Ter nascido a mariposa
com feitio de borboleta.
No escuro são parecidas,
mas uma é colorida
e a outra é de cortiça.
Passeando o casalzinho
vê borboleta no caminho
ela ri, ele faz cara de bobo
abrançam-se forte e vão se casar.
A pobre mariposa se vem visitar
leva vassorada e é enxotada
que esse bicho feio na morada
é sinal de morte ou de azar!
É a sina da mariposa
que nasceu muito sem graça
ficar só, jogada às traças,
E sua prima preferida
tem a foto estampada
em vestido e em toalha.
A mariposa, no entanto,
se não tem muito encanto
procura ver pelo lado bom:
Se ninguém a quer em casa
pelo menos não é espetada
em quadro de coleçao.
Ter nascido a mariposa
com feitio de borboleta.
No escuro são parecidas,
mas uma é colorida
e a outra é de cortiça.
Passeando o casalzinho
vê borboleta no caminho
ela ri, ele faz cara de bobo
abrançam-se forte e vão se casar.
A pobre mariposa se vem visitar
leva vassorada e é enxotada
que esse bicho feio na morada
é sinal de morte ou de azar!
É a sina da mariposa
que nasceu muito sem graça
ficar só, jogada às traças,
E sua prima preferida
tem a foto estampada
em vestido e em toalha.
A mariposa, no entanto,
se não tem muito encanto
procura ver pelo lado bom:
Se ninguém a quer em casa
pelo menos não é espetada
em quadro de coleçao.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
Você, burguês...
"Enquanto houver burguesia não vai haver poesia." No ginásio a professora de história mostrava músicas de época para conhecermos o período da abertura política. Perguntei se ela acreditava no significado daquele verso. Respondeu-me como cabe às professoras marxistas de história do ginásio: que se com ela se entende que enquanto houver exploração de um homem pelo outro não haverá beleza no mundo, sim, ela está correta. A resposta me soou definitiva.
Cazuza, ninguém ignora, era um burguês. Melhor, era o avesso de um proletário. Não me recordo qualquer grande poeta que tivesse uma rotina maquinal de 44 horas semanais apertando parafusos ou apondo carimbos. Poetas sempre foram burgueses, nobres, acadêmicos ou, quando pobres, boêmios.
Além da ociosidade necessária para se fazer qualquer obra artística sincera, deve haver a possibilidade de estudar a arte. Neste ponto diferem a obra do boêmio burguês e do boêmio pobre. A boemia pode gerar um Cartola, um Jorge Ben. Mas a boemia burguesa gera o Orfeu da Conceição, gera Morte e vida severina.
Não intento ser proselitista. Minha finalidade é chamar os burgueses, os filhos de pais ricos, os vagabundos confortáveis, às artes, por favor. Se não quer trabalhar, não trabalhe! Todos deveriam ter esse direito. Mas aproveite a educação que recebeu e seja um bom artista. Pode ser que perca toda a fortuna no processo, mas quem precisa de dinheiro quando é poeta? Veja Cazuza! Melhor um poeta morto do que um dentista frustrado.
http://youtu.be/PjRJZl4_Ze4
Cazuza, ninguém ignora, era um burguês. Melhor, era o avesso de um proletário. Não me recordo qualquer grande poeta que tivesse uma rotina maquinal de 44 horas semanais apertando parafusos ou apondo carimbos. Poetas sempre foram burgueses, nobres, acadêmicos ou, quando pobres, boêmios.
Além da ociosidade necessária para se fazer qualquer obra artística sincera, deve haver a possibilidade de estudar a arte. Neste ponto diferem a obra do boêmio burguês e do boêmio pobre. A boemia pode gerar um Cartola, um Jorge Ben. Mas a boemia burguesa gera o Orfeu da Conceição, gera Morte e vida severina.
Não intento ser proselitista. Minha finalidade é chamar os burgueses, os filhos de pais ricos, os vagabundos confortáveis, às artes, por favor. Se não quer trabalhar, não trabalhe! Todos deveriam ter esse direito. Mas aproveite a educação que recebeu e seja um bom artista. Pode ser que perca toda a fortuna no processo, mas quem precisa de dinheiro quando é poeta? Veja Cazuza! Melhor um poeta morto do que um dentista frustrado.
http://youtu.be/PjRJZl4_Ze4
domingo, 31 de janeiro de 2010
31/01/2010 - Corinthians 1 x 0 Palmeiras
Fazer um gol logo nos primeiros 5 minutos do primeiro tempo é algo perigoso em um derby. É a situação psicológica ideal para uma virada. Contudo, este cenário foi drásticamente alterado com a expulsão de Roberto Carlos, aos 9 minutos! O juiz, ciente de que estava apitando um barril de pólvora, quis desde o começo conter o ânimo dos jogadores, e calhou de dar o exemplo justamente com aquele que deveria ser uma das maiores estrelas do jogo. A partir daí, justiça seja feita, o árbitro conseguiu um jogo mais fácil de ser apitado, e o Corinthians um abacaxi. Tinha ainda o jogo inteiro pela frente, com um jogador a menos. Apesar da torcida e até, talvez, dos próprios jogadores quererem ousar, quererem aumentar de 1 a 0 para 2 a 0, Mano Menezes manteve a cabeça fria e segurou o baque. Todos apostavam que, cedo ou tarde, o Palmeiras faria o gol do empate. E o Corinthians já agia como se empate fosse um bom resultado, àquela altura. Aguentaria-se pelo tempo que fosse possível até o primeiro gol do Palmeiras, e então procuraria segurar o empate. Tudo o que tinha que fazer era aguentar. E os palmeirenses também estavam fazendo a parte deles: finalizavam sem dó. Dez, quinze, vinte escanteios. Exceto por duas oportunidades perdidas no primeiro tempo por pura incompetência, os jogadores do palmeiras faziam o que podiam. Mas do lado alvi-negro tinha uma pessoa que, sempre atento, não falhou. Felipe foi o herói do jogo. Não foi um jogo lindo para os corinthianos, com certeza. Foi uma agonia incessante dos 9 minutos aos 49 do segundo tempo. Mais uma vez, fizemos jus à fama de sofredores. Hoje, contudo, os três tentos foram nossos.
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