terça-feira, 28 de abril de 2020

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Quando ficar muito velho
Quero virar um livro
Não quero perecer
Ao menos um poema
Impresso em um papel
Não me queimem, não me reciclem
Ouçam minha voz
Sou humano como você

domingo, 12 de abril de 2020

Jesus na mansão dos mortos

O Credo dos Apóstolos diz que Jesus desceu à mansão dos mortos e ressuscitou no terceiro dia.
Em latim, "descendit ad ínferos".
Jesus foi ao inferno.
Mas por quê?
E o que fez lá de sexta-feira até domingo?

Ficou confuso ao chegar.
Perdeu a noite de sexta a vagar entre espíritos. Não sabia onde estava.
Tamanha tinha sido sua dor em vida que mal sentiu a dor de estar aonde os mortos vão para sofrer.

Atravessou o Estige a pé, distraído, sem tocar suas águas.
Durante todo o sábado andou entre os pecadores em sofrimento, mas ainda não percebeu que era o Inferno.
Sua vida inteira andou entre pecadores em sofrimento.

Somente à meia-noite de sábado encontrou o Diabo, que lhe deu boas vindas.
À vista do Demônio, Jesus finalmente entendeu onde estava e disse:
Você foi à Terra para me tentar e nada conseguiu. Qual foi seu truque para me ter aqui?

O Diabo corrige Jesus: Falas como se eu tivesse ido ao estrangeiro para ver-te. Mas tua Terra também é minha.

O Diabo disse também que ninguém o condenou àquele lugar, senão ele mesmo.
Estava alí pela mesma razão que os demais: seu coração estava mais pesado que uma pluma.

Jesus então, pesando seu coração, lembrou-se de suas últimas palavras:
"Pai, por que me abadonadonaste?"
Em seu derradeiro momento, a humanidade falou mais alto em Jesus, e ele duvidou de Deus.

Depois de entender isso, ele se arrepende e sente que ele mesmo é Deus.
E, sendo Deus, ele é maior que o inferno.
Não precisa ficar naquele lugar.

Ressuscita muito maior do que morreu. Sente por um momento o gosto da podridão em seu corpo mundano, e com um pensamento a elimina. Mas deixa as chagas que lhe foram infligidas, como medalhas de sua campanha ao mundo dos mortos.
Sai de sua cripta sem sequer pensar na pedra que a sela.
Está apenas de passagem.