segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre A Metamorfose

A Metamorfose de Franz Kafka não é a história de um homem que acorda na forma de um inseto monstruoso. Nada pode estar tão distante da ficção científica ou do horror quanto esta novela.
A terrível transformação de Gregor Samsa é uma alegoria para todas condições inescapáveis a que os homens estão submetidos, e que podem levar à sua exclusão da sociedade. Samsa poderia ter despertado como homossexual, leproso, artista, comunista, albino; qualquer coisa, enfim, que levasse seus convivas a exilá-lo.
A realidade fantástica de Kafka torna sua obra atemporal. Gregor poderia ser judeu na década de 1930, aidético nos anos 1980, ou muçulmano nos anos 2000. Mas ao invés de situações limitadas, Kafka utilizou de uma hipótese absurda e, por isso mesmo, universal, pela qual descreveu a angústia da exclusão. Exclusão que existe desde que existe o conceito de grupo.
Esta pequena obra prima, portanto, tem como êxito a condensação em palavras de um dos mais perenes sentimentos humanos: a dor da rejeição. Aquele que a lê tem a oportunidade de identificá-la e reconhecê-la em sua própria realidade. Não são tantos os livros capazes de proporcionar experiência tão profunda.


Estou vendendo uma edição de A Metamorfose, a um preço módico, neste sítio:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-150483550-a-metamorfose-franz-kafka-_JM

Nenhum comentário:

Postar um comentário