terça-feira, 24 de julho de 2012

Minha garota não curte os Coen (um draminha hype)



Minha garota não curte irmãos Coen.

Hitchcock a gente vê juntinho
desde nosso primeiro mês
Mas seja forte ou seja fraco
Coen com ela não tem vez

Tarantino ela até encara.
Woody Allen topa na hora.
Mas se ponho a fita de Fargo
ela acho chato e vai embora

Minha namorada, além de bonita
tem bom gosto e é esperta
Mas ela não gosta dos Coen
nem com Clooney na Odisseia

Ela não gosta do Lebowski
nem de Scarlet como lolita
Para ela são todos do nível
de Matadores de Velhinha.

Não me conformo que ela não veja como a obra desses americanos expõe de forma crua os sentimentos mais sujos que regem os atos masculinos.
Em Queime depois de ler, Bravura Indômita, O homem que não estava lá
Somos idiotas, competitivos, mesquinhos.

...

Pensando bem, até dá pra entender
seu desinteresse pelos irmãos Coen:
Sendo mulher, ela não precisa de filme
pra saber o ridículo que é um homem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Diálogo


"- Chico é uma unanimidade.
- Nelson Rodrigues diz que toda unanimidade é burra.
...
- Bom, Nelson Rodrigues não é uma unanimidade."

domingo, 22 de julho de 2012

Sobre confissões por escrito

Acredito que se a alfabetização fosse melhor difundida haveria menos hipocrisia.
É mais fácil confessar algo de que se tem vergonha pela escrita do que por qualquer outra forma. Quando se fala a alguém pessoalmente, tem-se que encarar o interlocutor ao mesmo tempo em que se bola a mensagem. É fácil mudar de ideia a partir do ponto em que se percebe a cara feia do outro. Sem falar de quando ele, para te poupar do constrangimento de dizer o que pensa, interrompe antes.
Haveria os gravadores, as câmeras, você pode dizer... Mas algo que percebi nesses tempos em que tais objetos se banalizaram é que eles são incômodos. Falar para um gravador, é como falar com a versão mais crítica de você mesmo. É preciso ficar atento não só para o que se fala, mas para como se fala, a entonação, os gestos. E quem já ouviu a própria voz gravada sabe: não é daquele jeito que gostaríamos de soar.
Mas na escrita, há só as palavras e silêncio. E é um ato solitário, necessariamente - o que significa que você pode lapidar o que diz até restar o que sinceramente quis dizer.
Por isso acredito: as pessoas poderiam agir mais conforme pensam se pudessem escrever o que pensam. O que se fala, fala-se para alguém; mas o que se escreve sempre é uma confissão.

sábado, 7 de julho de 2012

Os russos e nós


Os russos têm mais a ver com nós, brasileiros, do que o senso comum pode a princípio desconfiar. Não obstante a marcante diferença climática, há alguns traços que aproximam intimamente estes dois lados do mundo; entre eles, a religiosidade e a desigualdade social.
Pode se notar isso em obras como os contos de Tchekhov, em que é retratada a vida nos mujiques (servos) na área rural do grande país, ou na profunda fé das mulheres de "Crime e Castigo", de Dostoiévski.
Talvez o sentimento de identidade que sinto tenha a ver com a conhecida máxima atribuída a um dos maiores escritores russos, Liev Tolstoi: "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia."