Uma coisa que eu nunca tive, e acho que a maioria dos brasileiros nascidos a partir da década de 80 também não deve ter tido, é paranoia quanto a eminência de uma guerra que possa ter efeitos comparáveis aos da Segunda Guerra Mundial.
Contudo, a perspectiva de algo assim tem rondado minha mente nos últimos tempos.
China e Estados Unidos são duas massas que buscam crescer no mesmo espaço físico. Quando a situação atingir um nível crítico, não custará ao ocidente buscar justificativas humanitárias (regime político opressivo, trabalho em condições indignas) para lançar-se com armas sobre a China.
O irônico é que, hoje, a maior parte do ocidente fecha os olhos a estas “condições desumanas”, na medida em que lhe convém comercialmente. Temos da China máquinas e tecnologias baratas, além de um grande mercado consumidor.
Por enquanto os negócios com a China custam “somente” a desindustrialização dos países que compram dela, e consequente desemprego. As classes dominantes, contudo, por ora lucram. É quando elas finalmente tiverem sua liderança questionada perante um número cada vez maior de prejudicados que jogarão toda a culpa sobre o país comunista. Nos EUA, isto já vem ocorrendo.
Ao contrário do que ocorreu com as guerras norte-americanas contra o Afeganistão e Iraque, não creio que desta vez o Brasil ficará de fora. Com sua relevância nos âmbitos econômico e político crescente, e sendo um grande parceiro comercial da China, acabaremos pegando em armas. Não sei bem para que lado vamos atirar.
E o que podemos fazer para evitar a guerra? Até onde vejo, nada. Como dito anteriormente, as economias (inclusive a brasileira) estão crescendo, e o tabuleiro não suporta tantas peças. Alguém tem que diminuir.
Como não vejo possibilidade de qualquer economia recuar deliberadamente, isso será feito por meio de bombas e tiros. Nós, brasileiros, provavelmente seremos uma das primeiras economias atacadas, não importa o partido que tomemos.
Se eu estiver inteiramente errado quanto a tudo o que escrevi aqui, pelo menos considerem este texto como uma possibilidade que felizmente foi evitada.
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