A descoberta é a melhor fonte de diversão. Por isso as crianças gostam muito de brinquedos, e por isso enjoam logo deles. E às vezes as descobertas parecem que vão ficando escassas, ou desinteressantes. Mas um tipo de descoberta não tem hora para acontecer e que me deixa sempre satisfeito é o entendimento de uma nova palavra. Mas só vale depois que você consegue usá-la!
Há uns dois anos descobri o que quer dizer “idiossincrático”. A princípio pensei que não ia usar muito a palavra, e que logo esqueceria seu significado. Mas surpreendentemente percebi que o que mais existia no mundo eram idiossincrasias – afinal, ninguém é igual a ninguém, e de perto ninguém é normal. Hoje me sinto senhor sobre este termo e o guardo como um selo de uma coleção que de vez em quando mostro para os amigos.
Quando o dinheiro acabar, ou quando chegar a um ponto da vida em que objetos não tragam alegria, sempre haverá a descoberta. E a descoberta de palavras é praticamente inesgotável. Caso fique difícil se surpreender na língua pátria, existem as outras. E caso se vá um pouco mais longe – para a etimologia, a história das palavras – aí que o desbravamento não terá fim mesmo.
E é por isso que prefiro palavras cruzadas a sudoku.
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