Eu
não gosto de poesia, exceto das que gosto.
Poesia
é o tipo mais pessoal de literatura. Se não falar diretamente à
medula, é só algo dito com empáfia, às
vezes com rima.
Talvez
seja uma questão de frequência: o leitor tem que estar alinhado,
afinado à frequência do poeta. Poeta estridente não soa bem quando eu tô em dia de baixo.
Os
poemas que eu menos gosto são os que dão lição: “viva assim”,
“ame assado”.
Os
que me pegam são os versos mais cotidianos e banais. Mário
Quintana, algo do Drummond, algo do Chico.
Passarinhos, repartições,
pernas.
Rios, calçadas, ditadura.
O melhor poema é aquele que se lê com a voz meio insegura.
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