quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Não gosto de poesia


Eu não gosto de poesia, exceto das que gosto.
Poesia é o tipo mais pessoal de literatura. Se não falar diretamente à medula, é só algo dito com empáfia, às vezes com rima.
Talvez seja uma questão de frequência: o leitor tem que estar alinhado, afinado à frequência do poeta. Poeta estridente não soa bem quando eu tô em dia de baixo.
Os poemas que eu menos gosto são os que dão lição: “viva assim”, “ame assado”.
Os que me pegam são os versos mais cotidianos e banais. Mário Quintana, algo do Drummond, algo do Chico.
Passarinhos, repartições, pernas.
Rios, calçadas, ditadura.
O melhor poema é aquele que se lê com a voz meio insegura.

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