sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Uma palavra sobre o susto

Sentir um terremoto é uma experiência interessante. Sempre que eu paro para pensar o quanto já vivi, e as coisas extraordinárias pelas quais já passei, lembro que já passei por um terremoto. Bem verdade que foi desses terremotos que às vezes temos aqui no Brasil – sem grandes danos, quase imperceptível. Mas ainda assim, creio que há poucas coisas capazes de minar, por um momento brevíssimo, as mais básicas certezas que temos. Por um segundo a cadeira não está firme, perde-se o chão. Se o chão não é confiável, como confiar que há oxigênio no ar, que o freio do carro funcionará, ou mesmo que você existe?

Essa sensação deve ser mais intensa quanto mais curtos sejam os tremores – afinal, por mais estranha que seja uma situação, o tempo leva à compreensão e à aceitação. Um curtíssimo tremor apenas te leva àquela sensação de “o quê foi isso”, também sentida quando se vê um vulto num lugar estranho e escuro, ou quando se tem um dèja vú. Não sei quanto a vocês, mas eu procuro valorizar os poucos momentos destes que eu tenho. Não precisa ganhar sozinho a sena acumulada para ter uma experiência extraordinária.

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