quinta-feira, 8 de julho de 2010

Você, burguês...

"Enquanto houver burguesia não vai haver poesia." No ginásio a professora de história mostrava músicas de época para conhecermos o período da abertura política. Perguntei se ela acreditava no significado daquele verso. Respondeu-me como cabe às professoras marxistas de história do ginásio: que se com ela se entende que enquanto houver exploração de um homem pelo outro não haverá beleza no mundo, sim, ela está correta. A resposta me soou definitiva.
Cazuza, ninguém ignora, era um burguês. Melhor, era o avesso de um proletário. Não me recordo qualquer grande poeta que tivesse uma rotina maquinal de 44 horas semanais apertando parafusos ou apondo carimbos. Poetas sempre foram burgueses, nobres, acadêmicos ou, quando pobres, boêmios.
Além da ociosidade necessária para se fazer qualquer obra artística sincera, deve haver a possibilidade de estudar a arte. Neste ponto diferem a obra do boêmio burguês e do boêmio pobre. A boemia pode gerar um Cartola, um Jorge Ben. Mas a boemia burguesa gera o Orfeu da Conceição, gera Morte e vida severina.
Não intento ser proselitista. Minha finalidade é chamar os burgueses, os filhos de pais ricos, os vagabundos confortáveis, às artes, por favor. Se não quer trabalhar, não trabalhe! Todos deveriam ter esse direito. Mas aproveite a educação que recebeu e seja um bom artista. Pode ser que perca toda a fortuna no processo, mas quem precisa de dinheiro quando é poeta? Veja Cazuza! Melhor um poeta morto do que um dentista frustrado.

http://youtu.be/PjRJZl4_Ze4

Um comentário:

  1. O melhor até agora!!!

    Mas, ai de mim que sou burocrata...tô em que categoria? Sou apoética?

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