Eu já estou cansado de ficar falando bem dos Mutantes – bem como meus interlocutores habituais estão cansados de me ouvir. Por isso resolvi escrever este texto: não para desdizer os elogios que já fiz, mas sim para expor minha opinião de uma forma mais permanente, de modo que não precise mais ficar incomodando o mundo com minha repetição.
O grupo dos irmãos Batista foi diferente de tudo o que havia até então. As coisas que vieram posteriormente que remetiam a eles jamais tiveram a mesma força, muito menos a mesma criatividade.
A inventividade no uso dos instrumentos elétricos e a ousadia de serem mais do que uma banda de rock os levou a mesclarem o rolling stonianismo com ritmos típicos do folclore do nordestino.
Além disso, os brasileiros podem sentir-se privilegiados, pois a música dos Mutantes é em português, e para brasileiro. Ainda que grandes nomes da música pop internacional os citem como referência, somente sendo brasileiro para captar completamente os coloquialismos, o deboche e a criatividade das letras do grupo.
Importante frisar também que toda esta novidade, o visual amalucado, a guitarra distorcida tocando baião, tudo encaixou-se perfeitamente com o tempo em que foi feito. Por isso, tentar repetir os Mutantes é besteira. Nosso tempo ainda precisa produzir artistas que captem tudo o que ele tem a oferecer e o subverta. Não nos cabe mais subverter os valores dos anos 70.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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