O Credo dos Apóstolos diz que Jesus desceu à mansão dos mortos e ressuscitou no terceiro dia.
Em latim, "descendit ad ínferos".
Jesus foi ao inferno.
Mas por quê?
E o que fez lá de sexta-feira até domingo?
Ficou confuso ao chegar.
Perdeu a noite de sexta a vagar entre espíritos. Não sabia onde estava.
Tamanha tinha sido sua dor em vida que mal sentiu a dor de estar aonde os mortos vão para sofrer.
Atravessou o Estige a pé, distraído, sem tocar suas águas.
Durante todo o sábado andou entre os pecadores em sofrimento, mas ainda não percebeu que era o Inferno.
Sua vida inteira andou entre pecadores em sofrimento.
Somente à meia-noite de sábado encontrou o Diabo, que lhe deu boas vindas.
À vista do Demônio, Jesus finalmente entendeu onde estava e disse:
Você foi à Terra para me tentar e nada conseguiu. Qual foi seu truque para me ter aqui?
O Diabo corrige Jesus: Falas como se eu tivesse ido ao estrangeiro para ver-te. Mas tua Terra também é minha.
O Diabo disse também que ninguém o condenou àquele lugar, senão ele mesmo.
Estava alí pela mesma razão que os demais: seu coração estava mais pesado que uma pluma.
Jesus então, pesando seu coração, lembrou-se de suas últimas palavras:
"Pai, por que me abadonadonaste?"
Em seu derradeiro momento, a humanidade falou mais alto em Jesus, e ele duvidou de Deus.
Depois de entender isso, ele se arrepende e sente que ele mesmo é Deus.
E, sendo Deus, ele é maior que o inferno.
Não precisa ficar naquele lugar.
Ressuscita muito maior do que morreu. Sente por um momento o gosto da podridão em seu corpo mundano, e com um pensamento a elimina. Mas deixa as chagas que lhe foram infligidas, como medalhas de sua campanha ao mundo dos mortos.
Sai de sua cripta sem sequer pensar na pedra que a sela.
Está apenas de passagem.
domingo, 12 de abril de 2020
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário