Dois casais conversam após um jantar. Todos beberam do vinho ou da cerveja. O sujeito anfitrião diz que já havia visto precisamente aquela mesma conversa que estavam tendo. Em um filme que havia visto na noite anterior.
Um filme muito chato! - diz sua companheira.
Um filme italiano, da década de sessenta!
E o que diziam no filme? - pergunta a metade feminina do outro casal. Claro que se referia ao futuro.
Um dos personagens falava que tinha visto aquela mesma conversa que estavam tendo naquele momento, em um filme francês da década de cinquenta. Então este personagem se dá conta que aquela mesma realidade dele talvez tenha ocorrido também no passado. A diferença estaria no tempo, mas todo o resto era idêntico. Pelo menos uma parcela da infinitude daquela realidade, só que em outro tempo, os anos cinquenta, que pôde ser representada naquele filme.
Concluiu que uma viagem no tempo na verdade é uma viagem entre realidades alternativas. A ilusão de tempo é causada por alguém que lê uma história idêntica à sua, mas em um tempo diferente.
Quando conta-se uma história ocorrida no passado, está se escrevendo um novo presente. Conta-se uma história no futuro, e de certo se está criando um novo presente e novos passados também.
A questão é encontrar a história certa para se ter conhecimento do futuro. Cada história fornece um lampejo de tempo, e no tempo de cada história há alguém que leu uma história que contém o relampejo de outra realidade. Não há tempo. Há realidades alternativas, sendo que algumas estão organizadas de modo que pareça haver tempo. O tempo é um leitor de si mesmo.
Há memória. Mas a memória não tem nada a ver com o tempo. A memória é apenas um elemento dos que compõem nossos universos paralelos.
Existem tais universos, e são infinitos. E podem sê-lo, já que não ocupam espaço, são espaço.
E cada linha de realidade que tem aparência de tempo tem seu fim dos tempos, que ocorre quando o narrador chega ao fim da história.
Você pode achar que esta história não corresponde a sua realidade, caro leitor. Mas na minha realidade, que pode ou não ser da mesma linha temporal que a sua, este é o fim dos tempos, este é o fim da história.
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